Poemas de Natal

Declamar poemas de Natal é uma forma de mostrar aos seus familiares e amigos o que de melhor há em si.

Nesta época as palavras ganham novos contornos e podem significar muito para quem as escuta. De famosos poetas portugueses a meras quadras de Natal para utilizar na escola, ficam aqui alguns exemplos de poemas de Natal.

Poemas de Natal Portugueses

Poema de Natal - Fernando Pessoa

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade !
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei !

A Noite de Natal - Mário de Sá-Carneiro

Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos.
Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus lhes não deu nada.
– Deu-lhes sim, muitos bonitos.
– Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.

Natal Chique - Vitorino Nemésio

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Natal -  Bocage

Se considero o triste abatimento
Em que me faz jazer minha desgraça,
A desesperação me despedaça,
No mesmo instante, o frágil sofrimento.
Mas súbito me diz o pensamento,
Para aplacar-me a dor que me traspassa,
Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,
Teve num vil presepe o nascimento.
Vejo na palha o Redentor chorando,
Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,
A milagrosa estrela os reis guiando.
Vejo-O morrer depois, ó pecadores,
Por nós, e fecho os olhos, adorando
Os castigos do Céu como favores.

Poemas de Natal para Crianças

Dia de Natal - Luísa Ducla Soares

Hoje é dia de Natal
Mas o Menino Jesus
Nem sequer tem uma cama,
Dorme na palha onde o pus.

Recebi cinco binquedos
Mais um casaco comprido.
Pobre Menino Jesus,
Faz anos e está despido.

Comi bacalhau e bolos,
Peru, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.

Os reis de longe lhe trazem
Tesouro, incenso e mirra.
Se me dessem tais presentes,
Eu cá fazia uma birra.

Às escondidas de todos
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão.

Este menino - Maria Alberta Menéres

Este Menino
é pequenino,
qual passarinho
a querer poisar
devagarinho.

Devagarinho
poisa no ninho
que o colo tem:
ninho do colo
da sua mãe.

Eu queria ser Pai Natal - Luísa Ducla

Eu queria ser Pai Natal
E ter carro com renas
Para pousar nos telhados
Mesmo ao pé das antenas.

Descia com o meu saco
Ao longo da chaminé,
Carregado de brinquedos
E roupas, pé ante pé.
Em cada casa trocava
Um sonho por um presente
Que profissão mais bonita
Fazer a gente contente!

Quadras de Natal

Dorme, dorme...

Vai-te embora, passarinho,
Vai-te embora, passarinho,
Deixa a baga ao loureiro.
Deixa dormir o menino,
Deixa dormir o menino,
Que 'sta no sono primeiro.
Dorme, dorme, meu menino,
Dorme, dorme, meu menino,
Que a mãezinha logo vem.
Foi lavar os cueirinhos 
Foi lavar os cueirinhos
À fontinha de Belém.

Natal

É Natal, é Natal
Tudo bate o pé 
Vamos pôr o sapatinho 
Lá na chaminé 
Olha o Pai Natal, de barbas branquinhas 
Traz o saco cheio de lindas prendinhas 
Pai Natal 
Irá trazer
Brinquedos para nós 
Para a Zeca uma boneca 
Para o Zito um apito 
Uma bola para saltar 
É o que quer o Baltazar.

Natal

Natal, é para ser todos os dias.
Nos nossos corações, nas nossas mentes.
O Natal não está nos presentes, está na ajuda ao próximo e na compreensão.
É dar-mos as mãos e sentirmo-nos irmãos.

Fotos de Tristan Martin
Atualizado em 12/11/2012